Cartier-Bresson
Com este post inauguro uma série de mini-biografias das personalidades mais relevantes da fotografia mundial, que agruparei na categoria Fotógrafos. Como não poderia deixar de ser, começarei por Henri Cartier-Bresson, amplamente reconhecido como o pai do fotojornalismo moderno, e o meu fotógrafo favorito não só pelo estilo de fotografia de rua que impulsionou, como pela sua maneira peculiar de viver esta arte.

Nascido em 1908 em Chanteloup, Seine-et-Marne, perto de Paris, desenvolveu um grande fascínio pela pintura no início da sua vida, particularmente pelo Surrealismo. Em 1932, após passar um ano na Costa do Marfim, descobriu a Leica – a sua câmara de eleição – e assim despertou para uma longa paixão pela fotografia que o reconheceria como um dos melhores fotógrafos do século XX.
Tomado prisioneiro de guerra em 1940, conseguiu escapar na sua terceira tentativa, em 1943, e entrou para uma organização clandestina de ajuda a prisioneiros e fugitivos. Em 1945, fotografou a libertação de Paris juntamente com um grupo de jornalistas profissionais e filmou o documentário Le Retour.

Bruxelas, 1932.
Em 1947, com Robert Capa, George Rodger, David Seymour e William Vandivert, fundou a conceituada agência fotográfica Magnum. Após três anos a viajar pelo Oriente, regressou à Europa, em 1952, onde publicou o seu primeiro livro, Images à la Sauvette (publicado em inglês com o título The Decisive Moment, um conceito que para sempre ficaria ligado à sua maneira de ver a fotografia).
Cartier-Bresson explicou a sua abordagem à fotografia nestes termos: «Para mim, a máquina fotográfica é um bloco de notas, um caderno de desenhos, um instrumento de intuição e espontaneidade, o mestre do instante que, em termos visuais, questiona e decide simultaneamente. É pela economia de meios que chegamos à simplicidade de expressão.» Dizia que a grande fotografia é um presente do acaso!
Trabalhou quase exclusivamente a preto e branco, equipado com uma Leica, uma 50 mm e, ocasionalmente, uma grande-angular para paisagens. Não revelava as suas imagens, afirmando que nunca esteve interessado no processo da fotografia. Era contra o uso do flash, que seria o equivalente a «chegar a um concerto com uma pistola na mão».

Sevilha, 1933.
Ao longo da sua vida, fotografou personalidades como Samuel Beckett, Truman Capote, Albert Camus, Mahatma Gandhi, Martin Luther King, Pablo Neruda, Henri Matisse, Malcolm X, entre muitos outros.
A partir de 1968, reduziu a sua actividade fotográfica, passando a dedicar-se ao desenho e à pintura. Em 2003, com a sua mulher e filha, criou a Fundação Henri Cartier-Bresson em Paris, por forma a garantir a preservação do seu trabalho. Cartier-Bresson recebeu inúmeros prémios e distinções durante a sua vida. Em 2004, veio a falecer na sua casa em Céreste, com 95 anos.

Sifnos, 1961.
«For me the camera is a sketch book, an instrument of intuition and spontaneity, the master of the instant which, in visual terms, questions and decides simultaneously. In order to “give a meaning” to the world, one has to feel involved in what one frames through the viewfinder. This attitude requires concentration, discipline of mind, sensitivity, and a sense of geometry. It is by economy of means that one arrives at simplicity of expression.
To take a photograph is to hold one’s breath when all faculties converge in a face of fleeing reality. It is at that moment that mastering an image becomes a great physical and intellectual joy.
To take a photograph means to recognize – simultaneously and within a fraction of a second– both the fact itself and the rigorous organisation of visually perceived forms that give it meaning.
It is putting one’s head, one’s eye, and one’s heart on the same axis.»
Para saber mais:
Fundação Henri Cartier-Bresson
Magnum Photos







