Sebastião Salgado
Sebastião Salgado é um dos fotógrafos mais famosos do mundo desde a década de 80.

© Pierre-Olivier Deschamps.
Nasceu a 8 de Fevereiro de 1944 em Aimorés, uma pequena localidade no estado de Minas Gerais, Brasil, com 16.000 habitantes. Na década de 40, mais de 70% desta região encontrava-se coberta por vegetação da Floresta Atlântica. Nessa altura, a floresta costeira do Brasil era duas vezes maior que a França; hoje em dia está reduzida a 7% da dimensão de então, e na terra natal de Salgado o cenário é ainda mais devastador, restando apenas 0,3%.

Espanha, 1997.
Depois de completar o ensino secundário em Vitória, Salgado estudou economia entre 1964 e 67. Fez mestrado na mesma área na Universidade de São Paulo e na Vanderbilt University (EUA). Após a conclusão do doutoramento em economia pela Universidade de Paris, em 1971, trabalhou para a Organização Internacional do Café até 1973.

Brasil, 1996.
Em 1973, quando levou a máquina fotográfica da sua mulher, Lélia, para uma viagem a África, Salgado decidiu trocar a economia pela fotografia. Trabalhou para as agências Sygma (1974-1975) e Gamma (1975-1979). Em 1979 entrou para a Magnum Photos, permanecendo na organização até 1994, ano em que fundou a Amazonas Images, juntamente com a sua mulher. De Paris, onde vivia, Salgado viajou para cobrir acontecimentos como as guerras em Angola e no Sahara espanhol, o sequestro de israelitas em Entebbe e o atentado contra o presidente norte-americano Ronald Reagan. Paralelamente, passou a dedicar-se a projectos de documentários mais elaborados e pessoais.

Kuwait, 1991.
Viajando pela América Latina durante sete anos (1977-1984), Salgado viajou a pé até povoamentos longínquos. Neles capturou as imagens para o livro e a exposição Outras Américas (1986), um estudo das diferentes culturas da população rural e da resistência cultural dos índios e dos seus descendentes no México e no Brasil. Nos anos 80, trabalhou 18 meses com o grupo francês Médicos Sem Fronteiras durante a seca na região do Sahel, em África. Na viagem produziu Sahel: O Homem em Pânico (1986), um documento sobre a dignidade e a perseverança das pessoas nas mais extremas condições. Entre 1986 e 1992, fez Trabalhadores (1993), um documentário fotográfico sobre o fim do trabalho manual em grande escala em 26 países. Em seguida, produziu Terra: Luta dos Sem-Terra (1997), sobre a luta pela terra no Brasil, e Êxodos e Crianças (2000), retratando a vida de refugiados e emigrantes de 41 países. Nos últimos anos, Salgado tem levado a cabo um projecto de longa-duração de fotografia de natureza, intitulado Genesis. Recentemente, publicou África, em parceria com o escritor africano e seu amigo Mia Couto.

Sudão, 2006.
Sobre a sua postura na fotografia e na vida, Sebastião Salgado afirmou numa entrevista a Carole Naggar, em 2000, que a «minha maior esperança é provocar um debate sobre a condição humana do ponto de vista dos povos de todo o mundo. Minhas fotografias são um vector entre o que acontece no mundo e as pessoas que não têm como presenciar o que acontece. Espero que a pessoa que entrar numa exposição minha não saia a mesma. (…) Pessoas comuns podem ajudar muito, não doando bens materiais, e sim participando, envolvendo-se no debate e pensando no que acontece no mundo. É o mais importante a fazer para evitar que as mesmas coisas se repitam.»
Para saber mais:
Página oficial de Sebastião Salgado
The Guardian: Genesis
Amazonas Images







